
Para profissionais de marketing hoje, abrir as redes sociais é sinônimo de ser bombardeado por todo tipo de anúncio sobre ferramentas e plataformas de Inteligência Artificial.
Na maioria dos casos, elas oferecem o que todo mundo está procurando, mas pouca gente encontrando: growth.
Mais especificamente, growth com IA.
A ideia é simples: usar a IA para que seu negócio atinja proporções de crescimento que eram impossíveis sem ela.
Mas junto com isso, há um problema que os anúncios não dizem. Aliás, vários problemas: baixo acompanhamento dos gastos com IA, diminuição do conhecimento técnico pela equipe etc.
Esses são caveats, mas não invalidam o growth com IA, só tornam o cenário mais difícil de navegar.
A busca pelo growth com IA está 100% respaldada nos desenvolvimentos do mercado. Mas precisamos entender como buscar esse crescimento, e como evitar as armadilhas comuns em mercados jovens.
É isso o que vamos fazer hoje. Acompanhe:
Entendendo as principais métricas de growth com IA
A melhor forma de buscar o growth com IA é delimitando, inicialmente, seus objetivos de transformação e os pontos de governança necessários.
A Gartner traz um exemplo: 4 métricas fundamentais para a IA, que analisamos no nosso texto sobre métricas de IA para negócios.

Veja como, nesse caso, as métricas para a transformação com IA são ativas e reativas:
- eNPS para entender o quanto os colaboradores estão experimentando mais facilidades no trabalho, o que leva a inovações e eficiência;
- CEI para garantir os pagamentos de contratos ativos e Sales conversion rate para entender o aproveitamento de leads;
- Custo do trabalho por colaborador, para entender se a IA está sendo eficiente não na redução direta dos custos com demissões, mas sim na redução do custo médio que acontece quando trabalhadores produzem mais;
- Time to value para entender o processo de vendas, o tempo entre o fechamento do contrato e a ativação do cliente com o produto. Fundamental em SaaS até para medir churn futuro desse mesmo cliente.
Existem outras métricas, é claro: muitas são relacionadas com a especificidade do seu negócio.
O importante é entender o mindset: o Growth com Inteligência Artificial acontece quando as métricas certas são analisadas, e quando os objetivos de negócio conversam com elas.
Esse texto é todo voltado para isso — exemplos de como aplicar esse mindset, e também exemplos contrários.
Vamos, então, nos aprofundar nesses pontos?
Capacitação da equipe

A capacitação da equipe é um dos pontos mais fundamentais para se instaurar ao trabalhar com a IA voltada para growth da sua marca.
Aliás, se você não fizer esse passo, é bastante provável que você vai encontrar problemas, ao invés de soluções, na aplicação da IA na sua empresa.
A capacitação da equipe gira em torno de:
- Entendimento dos objetivos da aplicação da IA: a marca precisa ter bem claro quais objetivos de negócio a IA está ajudando a cumprir, para que todo mundo trabalhe em direção a esse objetivo compartilhado;
- Entendimento de como a IA deve ser aplicada: além de entender o motivo de aplicar a IA e quais são os resultados esperados, há boas práticas de uso que evitam o consumo desnecessário de tokens e minimizam erros e alucinações;
- Entendimento dos limites da IA na função de cada colaborador: a equipe precisa saber onde a IA deve parar e a validação humana começa — sem esse limite claro, erros de IA (dados incorretos, alucinações, decisões automatizadas fora de escopo) passam despercebidos até chegar no cliente ou na métrica final, o que mina a confiança de todo o processo de growth.
Vamos conversar sobre esses três pontos agora. Acompanhe:
Entendimento dos objetivos da aplicação da IA
Quando esse entendimento não existe, cada área acaba aplicando IA de um jeito diferente, sem coordenação — um time usa pra reduzir tempo de resposta, outro pra cortar custo, outro simplesmente porque "todo mundo está usando".
O resultado é um mosaico de iniciativas isoladas que não conversam entre si e, principalmente, que não conversam com as métricas que a empresa está de fato acompanhando.
Esse desalinhamento também dificulta a mensuração de resultados: se cada time definiu seu próprio objetivo informalmente, fica praticamente impossível consolidar um retorno único e comparável para a liderança avaliar se a IA está, de fato, valendo o investimento.
Recomendações:
- Defina e documente, por escrito, o objetivo de negócio de cada aplicação de IA antes de liberar o uso para a equipe;
- Vincule cada iniciativa de IA a uma métrica específica já acompanhada pela empresa, evitando objetivos soltos;
- Comunique esse objetivo de forma centralizada (reunião, documento compartilhado) para todos os envolvidos, não apenas para quem solicitou a ferramenta.
Entendimento de como a IA deve ser aplicada
Isso inclui desde o básico (como escrever prompts claros e específicos) até práticas mais avançadas, como saber quando dividir uma tarefa complexa em etapas menores.
Ou até reconhecer quando a IA está "forçando" uma resposta em vez de admitir que não tem informação suficiente.
Equipes que pulam essa etapa tendem a gastar mais (em tokens, em retrabalho) para obter resultados piores, já que cada erro não identificado a tempo gera uma nova rodada de correção.
A correção que também consome mais tokens e mais tempo da equipe — um ciclo que corrói exatamente o ganho de eficiência que a IA deveria trazer.
Recomendações:
- Estabeleça um treinamento (ainda que curto) de boas práticas de prompt antes da adoção em larga escala, não depois que os custos já subiram;
- Crie um repositório interno de prompts validados, para reduzir tentativa e erro individual;
- Monitore o consumo de tokens por time ou projeto, identificando padrões de uso ineficiente antes que virem hábito.
Entendimento dos limites da IA na função de cada colaborador
Esse é o ponto mais frequentemente negligenciado: equipes confiantes demais na tecnologia deixam de aplicar a checagem humana justamente nos momentos em que ela mais importa.
Seja por excesso de confiança, seja por falta de tempo. Quanto mais crítica a decisão — financeira, jurídica, voltada ao cliente final —, maior deveria ser o rigor da validação humana, e não o contrário.
Recomendações:
- Determine, para cada função, os pontos exatos de checagem humana obrigatória, especialmente em decisões que impactam clientes ou dados sensíveis;
- Nunca automatize integralmente etapas de alto risco (financeiro, jurídico, atendimento direto) sem revisão humana no fluxo;
- Reavalie periodicamente esses limites à medida que a confiança na ferramenta e a maturidade da equipe evoluem.
Orquestrações de IA para governança mais sólida

No tópico anterior, estamos mencionando documentações que são bastante importantes para uma boa operação de growth com IA.
Mas ao mesmo tempo, também precisamos conversar sobre como criar essa documentação, e como acessá-la de forma simples, usando a própria IA.
Esse tópico é complementar ao anterior. Aqui, vamos entender como trabalhar três pontos fundamentais:
- Documentação: as lideranças da empresa determinam como a IA deve ser utilizada, como vimos acima. Ela também tem a responsabilidade de deixar uma documentação formalizada para acesso simples da equipe. Como criar? ;
- Acesso simples à documentação: além de documentar, vale a pena criar integrações com a sua base de dados e a IA. Trazemos um tutorial simples de como ligar o Claude, ainda no plano premium mais básico, ao Obsidian, plataforma de note-taking. O mesmo processo se aplica a outras ferramentas, como o Notion;
- Dashboarding: vamos entender e trazer um guia do nosso blog sobre como criar dashboards para acompanhar os resultados (e custos) da IA;
Acompanhe:
Documentação
As lideranças da empresa determinam como a IA deve ser utilizada, como vimos acima. Ela também tem a responsabilidade de deixar uma documentação formalizada para acesso simples da equipe.
Documentar significa transformar decisões que muitas vezes ficam soltas em conversas informais (um Slack aqui, um alinhamento verbal) em materiais de referência.
A ideia é que qualquer colaborador, novo ou antigo, consiga consultar sem depender da memória de quem definiu a regra originalmente.
Isso é especialmente importante em equipes que crescem rápido ou têm alta rotatividade, onde o conhecimento se perde com facilidade.
Além disso, documentação formalizada facilita auditorias futuras: se a empresa precisar revisar por que uma decisão de IA foi tomada de determinada forma, ter isso registrado evita reconstruções baseadas em suposição.
Recomendações:
- Centralize toda documentação de uso de IA em um único repositório, evitando fragmentação entre e-mails, chats e documentos avulsos. Para acesso fácil e mais dinâmico, o Notion é ótimo, mas mais caro. Para integrar um sistema de IA com uma base de dados consultiva, o Obsidian é uma ótima pedida, e é bem mais barato;
- Atribua a responsabilidade de manter essa documentação atualizada a uma pessoa ou área específica, não a "todos" de forma difusa;
- Trate a documentação como parte do onboarding de novos colaboradores, não como material de consulta opcional.
Acesso simples à documentação: Claude + Obsidian
Um dos jeitos mais práticos de reduzir esse atrito é conectar diretamente o Claude Desktop à sua base de notas no Obsidian, usando o protocolo MCP (Model Context Protocol).
Com essa integração, a IA passa a ler e escrever notas do seu vault diretamente, sem exigir que ninguém copie e cole conteúdo manualmente.
E a partir disso, também se torna possível conversar diretamente com a documentação da empresa, que está salva no seu vault do Obsidian.
Veja o passo a passo:
- 1. Use o Claude Desktop (não o navegador):
A integração via MCP só funciona no aplicativo Claude Desktop, disponível para Mac, Windows e Linux. A versão web não suporta essa conexão.
- 2. Instale o plugin de API local no Obsidian
No Obsidian, vá em Configurações → Plugins da comunidade e busque pelo plugin "Local REST API". Ative os plugins da comunidade (caso ainda não estejam ativos) e instale esse plugin — ele é o que expõe seu vault para ferramentas externas.
- 3. Gere sua chave de API
Dentro das configurações do plugin recém-instalado, gere (ou copie) uma chave de API. Guarde-a com cuidado — ela é o que autentica o Claude a acessar seu vault.
- 4. Instale o servidor MCP do Obsidian
Existem dois caminhos comuns:
- Via terminal, usando um instalador como o Smithery (npx @smithery/cli install mcp-obsidian --client claude), que já configura boa parte do processo automaticamente;
- Via configuração manual, editando diretamente o arquivo de configuração do Claude Desktop (claude_desktop_config.json) e adicionando o servidor MCP com o caminho do seu vault e a chave de API gerada no passo anterior.
- 5. Reinicie o Claude Desktop
Depois de salvar a configuração, feche e abra o aplicativo novamente. Se tudo estiver correto, o servidor Obsidian deve aparecer conectado nas configurações de MCP do Claude.
- 6. Teste a conexão
Peça ao Claude para listar pastas ou buscar um conteúdo específico no seu vault (ex: "liste as notas da pasta Projetos" ou "busque notas sobre governança de IA").
Se a resposta trouxer arquivos reais do seu Obsidian, a integração está funcionando.
- 7. Use com segurança
Comece testando em um vault secundário, não no principal, até se sentir confortável com o que o Claude está lendo e escrevendo. Revise periodicamente os arquivos criados ou modificados pela IA.
O mesmo princípio — plugin de API local + servidor MCP + configuração no cliente — se aplica a outras ferramentas de note-taking, como o Notion, com pequenas variações no processo de instalação.
Dashboarding
Documentação e acesso resolvem o "como usar", mas não respondem sozinhos à pergunta que mais importa para a liderança: está funcionando?
Um dashboard bem construído transforma métricas dispersas — custo por token, tempo economizado, erros identificados, resultados de negócio — em um painel único, visual e acompanhável ao longo do tempo.
Isso conecta diretamente com o que discutimos anteriormente sobre métricas: de nada adianta escolher os indicadores certos se eles não estão visíveis e acessíveis para quem toma as decisões no dia a dia.
Recomendações:
- Centralize métricas de custo e resultado em um único dashboard, evitando planilhas paralelas e desatualizadas;
- Defina uma frequência fixa de revisão do dashboard junto à liderança, para que ele vire hábito de gestão e não um recurso esquecido;
- Vincule os dados do dashboard às métricas de negócio já definidas no tópico de capacitação, mantendo a leitura de resultados coerente em toda a empresa.
O mais complicado do processo de dashboarding é, na verdade, a criação dos dashboards em si. Temos um texto que traz 7 ferramentas e guias. Acesse:
➡️ 7 ferramentas para criar dashboards para medir os resultados do seu marketing
Aplicando governança e segurança na sua operação com IA

Se você fez tudo isso, você já está com um ótimo sistema em mãos. Ele provavelmente está operacional nesse momento.
A questão que surge a seguir é bastante óbvia: como garantir, a partir de tudo o que foi criado, que a governança vai ser priorizada?
Nós definimos o conceito da governança com IA através da documentação. Tornamos o processo de onboarding mais simples com a orquestração do banco de dados + IA. E criamos dashboards para acompanhamento.
Mas agora precisamos pensar em um terceiro ponto: como garantir que a IA será aplicada como estamos imaginando?
Há três pontos aqui também que precisamos entender:
- Governança: como é o processo diário/semanal/mensal para acompanhamento das métricas de IA? Como criar mecanismos de feedback a partir dessas métricas?
- Segurança: quais são os pontos mais importantes para entender em questão de segurança de dados, tanto da empresa quanto (e principalmente) dos clientes?
- Padronização: como garantir resultados não-padronizados (o maior problema da IA) a partir de prompts padronizados?
Vamos conversar sobre eles agora, nos tópicos abaixo. Acompanhe:
Governança
Ter documentação, integração e dashboard prontos não garante, sozinho, que a governança vai continuar acontecendo depois que o entusiasmo inicial passar.
É preciso um processo vivo — diário, semanal ou mensal, dependendo da criticidade da aplicação — para acompanhar as métricas definidas lá no início e identificar desvios antes que virem problema maior.
Esse processo também precisa de um mecanismo de feedback: não basta olhar o dashboard, é necessário que as descobertas voltem para quem toma decisão.
Se o custo por token subiu, ou se a taxa de erro aumentou, alguém precisa ser responsável por agir sobre isso — caso contrário, a governança vira burocracia estática, sem consequência prática nenhuma no dia a dia da operação.
Recomendações:
- Estabeleça uma cadência fixa de revisão das métricas de IA (diária, semanal ou mensal, conforme a criticidade da aplicação);
- Defina, com clareza, quem é o responsável por agir sobre os desvios identificados no acompanhamento;
- Crie um canal ou ritual simples de feedback (reunião curta, relatório automatizado) para que as descobertas do dashboard cheguem até quem decide.
Segurança
Trabalhar com IA envolve, na maioria dos casos, alimentar a ferramenta com dados — da empresa e, principalmente, dos clientes.
Isso torna a segurança um ponto inegociável, não um detalhe técnico a ser resolvido depois.
Os riscos mais comuns envolvem o uso de dados sensíveis em prompts sem anonimização, ferramentas de IA sem garantias claras de retenção ou uso desses dados para treinamento, e a ausência de controle sobre quem, dentro da equipe, tem acesso a quais informações através da IA.
Cada um desses pontos, isoladamente, já é suficiente para gerar um problema sério de compliance ou de confiança do cliente — e a combinação deles, sem nenhum controle, tende a compor um risco ainda maior a médio prazo.
Recomendações:
- Estabeleça regras claras sobre quais dados podem (e quais não podem) ser inseridos em prompts, especialmente informações de clientes;
- Verifique a política de retenção e treinamento de dados de cada ferramenta de IA antes de adotá-la operacionalmente;
- Restrinja o acesso a dados sensíveis por função, evitando que toda a equipe tenha o mesmo nível de exposição à informação.
Padronização
Um dos maiores paradoxos da IA aplicada a growth é este: buscamos escala e consistência, mas a própria natureza da IA generativa tende a produzir resultados variáveis, mesmo diante de instruções semelhantes.
A saída não é eliminar essa variabilidade por completo — isso raramente é possível —, mas reduzi-la ao máximo através de prompts padronizados, testados e documentados, que funcionem como uma espécie de "modelo" replicável pela equipe inteira.
Isso vale tanto para tarefas simples (respostas de atendimento, por exemplo) quanto para aplicações mais complexas, onde a variação de resultado pode comprometer diretamente a métrica de negócio que está sendo perseguida.
Recomendações:
- Crie e documente prompts padronizados para as aplicações mais recorrentes da equipe, evitando que cada colaborador "reinvente" a instrução;
- Teste os prompts padronizados periodicamente, já que atualizações nos modelos de IA podem alterar o comportamento esperado;
- Avalie a consistência dos resultados como uma métrica própria, não apenas a qualidade pontual de uma resposta isolada.
Para onde seguir à partir daqui?
Como vimos, o growth com IA parte, acima de tudo, de uma boa base sólida de documentação, treinamento e governança.
Esse é o trabalho fundamental da equipe de gestão da sua empresa. E nada disso é complicado: é basicamente colocar no papel as conversas que já acontecem.
Muitas empresas têm dificuldade de colocar isso em prática, especialmente no marketing, por conta das demandas do dia-a-dia.
E é justamente no marketing que a governança e a documentação fazem a diferença. É o marketing que determina como falar com clientes, como atendê-los no chat, o que escrever nos posts, etc.
Se você já está trabalhando com IA e não está colocando esses pontos em prática por dificuldades que a rotina de produção traz, pode ser que esteja na hora de pensar em terceirização.
Temos um guia aqui no blog para te ajudar a entender se esse é o momento. Acesse logo abaixo e obrigado pela leitura!
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